Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Ideias? Quais Ideias?

Depois de quase dois meses fora do ar - e sem ninguém ter aparentemente sentido alguma falta - o Idéias, ou melhor, Ideias (já na seguindo as novas regras ortográficas) agora é apenas mais um site blogspot.com.

Então, a quem interessar possa, o novo endereço é www.ideiasmutantes.blogspot.com, já que o antigo www.ideiasmutantes.com.br não será reativado.

E, quando eu voltar a ter algumas boas ideias, também volto a postar!

Até mais ver...

Terça-feira, Abril 05, 2011

Crime e Castigo

Antes de mais nada, preciso admitir que infringi a lei... E algumas vezes!

E por conta disso fui punido e estou sofrendo com isso, de forma a aprender a não repetir o erro no futuro. Mas antes que alguém comece a achar que estou escrevendo direto de um presídio, deixo claro que meu problema foi com multas de trânsito, mais especificamente por excesso de velocidade. E de forma mais do que justa, a punição se reflete na suspensão da minha CNH por longos trinta dias.

Além da suspensão, terei que fazer também um curso de reciclagem, mas esse não é o principal problema; a questão mesmo é não poder dirigir durante esse árduo período.

Ok, ok, durante os finais de semana isso nem chega a ser um problema, já que a @amirasierras pode dirigir, mas e para ir ao escritório, morando na Zona Leste de São Paulo e trabalhando em Itupeva (na região de Jundiaí)? Sim, meus amigos é aí que a porca torce o rabo!

Grande defensor dos transportes públicos e coletivos queria acreditar na utopia de que conseguir ir e vir, mesmo atravessando tantas cidades, sem maiores problemas.

Pois então descobri a empresa de ônibus que me levaria do Terminal Rodoviário da Barra Funda até as proximidades de meu escritório em Itupeva, o que foi relativamente fácil, apesar de ser o ponto que eu mais temia. Pronto, um trecho já estava resolvido.

Em seguida era só contar com a costumeira, apesar de superlotada, eficiência do Metrô, para me levar da estação Vila Prudente (Linha Verde) até à estação Barra Funda (Linha Vermelha). Mais uma vez, tranquilo.

Mas o problema mesmo está na linha de ônibus coletivo que deveria me atender... Senhores, apresento-lhes a Linha 373M-10, Shop. Metro Tatuapé/Jd. Guairaca. Acontece que, guiado apenas pelas promessas feitas no site da SPTrans e no detalhamento da linha (AQUI), eu realmente acreditei que poderia contar com esse ônibus a cada vinte minutos e, na pior das hipóteses, a cada trinta minutos caso precisasse dele após as 20 horas.

Ledo engano, fruto de uma inocência crente de minha parte! Cheguei a esperar o maledeto coletivo por até uma hora e, mais frequentemente, por no mínimo 40 minutos. Infâmia, infâmia!

Caríssimos administradores da SPTrans: tantas informações disponíveis no site, mas nada disso é confiável? Grandiosa Prefeitura de São Paulo: aumentos de preços e piora contínua do serviço de ônibus coletivos na cidade?

Afinal, o que tamanha estrutura administrativa anda fazendo, já que claramente falta investimento, planejamento, fiscalização e inteligência no sistema de transportes públicos da maior cidade do Brasil? São Paulo e seus Paulistanos merecem muito mais do que isso...

Merecem, inclusive, uma opção decente aos veículos particulares que atulham nossas ruas e avenidas! O transporte público é mesmo a melhor solução, mas parece que custa muito aos administradores públicos entenderem essa realidade!

Bem, claramente vivo um caso de crime e castigo, mas sinto que, por conta das precárias condições do transporte público que temos à nossa disposição, é certo que o castigo mostra-se desproporcional ao crime: e isso não deixa de ser um novo crime...

Nota do Editor:
- Usar transporte público também incentiva a realização de exercícios: nos últimos dias o Muta tem andado bastante de um lugar a outro, o que é algo mais do que positivo na vida dele!

Segunda-feira, Março 21, 2011

Vagas Demais na Garagem

Noutro dia, um belo e cinzento domingo, passando de carro por uma grande avenida da cidade de Santo André (o "A" do ABC Paulista), acabamos nos deparando com um plantão de vendas de um daqueles apartamentos cheios de "nove horas".

Vocês sabem do que estou falando... São aqueles apartamentos com diversas suítes e vagas na garagem, instalados em condomínios que dispõem de salas de cinema, salões de festa, piscinas e churrasqueiras, tudo isso, claro, nas versões para adultos, adolescentes e crianças.

Como há muito não víamos de perto algo do tipo, decidimos dar uma parada e conversar com uma simpaticíssima corretora de plantão. E sim, ela foi deveras simpática do começo ao fim, desde quando começou a falar sobre as incomparáveis inutilidades do condomínio (imaginem, esse é o único que conta com uma quadra OFICIAL, sim OFICIAL!!!, de tênis!), passando pela descomunal e quase obscena sacada, até chegar ao - esse sim - definitivamente obsceno preço do imóvel e sua forma de pagamento.

Mas antes que alguém diga coisas como, "Ah, mas você não imaginava que era caro?", ou, "Com tudo isso, você queria pagar quanto?", já adianto que sim, eu já achava que seria caro e, na verdade, eu praticamente acertei o preço. Acontece que ter acertado o preço, ter lembrado da quantidade de imóveis desse tipo que existem por aí e são, ao que dizem, "sucessos de vendas" e talz, me deixaram pensando...

Primeiro, bateu um desespero desgraçado; afinal, de onde eu tiraria dinheiro para comprar um daqueles? Teria, certamente, que trabalhar mais, crescer mais na empresa, talvez convencer o meu diretor a quase dobrar o meu salário e coisas do tipo, já que tanta gente consegue comprar imóveis assim, por que eu não consigo?! Depois, devidamente acalmado pela Dona Patroa, percebi que tenho um salário bacana e que, naturalmente, irá ficar ainda mais bacana com o tempo, bastando que eu continue a trabalhar.

Então finalmente cheguei a uma conclusão: afinal, eu realmente preciso morar em um imóvel assim? Meus filhos precisarão de paredes de escalada, piscina infantil e cinema coletivo? A Amanda será mais feliz se puder ter aulas de tênis em uma quadra de tamanho oficial se ela nem gosta desse esporte? O Ziggy vai ser menos maluco se passear no espaço interno dedicado a isso?

Não, não, não e não!

Tudo isso é feito justamente para criar uma necessidade que não existe! Afinal, não precisamos de apartamentos gigantescos, cheios de inutilidades extravagantes que ninguém de casa utilizará de verdade. Não precisamos de três vagas em uma garagem... Não precisamos de nada desse tipo de coisas, pois a vida de verdade, a que importa de verdade, não precisa de tudo isso... Aliás, se precisar, algo pode estar redondamente errado, não é mesmo?

Essas coisas tão complicadas e só fazem da vida algo ainda mais complicado? Será que já não está na hora de buscarmos a simplicidade e não o exagero complicado?

Que tal pensarmos em ter uma VIDA MAIS SIMPLES?

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Notas do Editor:
Esse texto foi estimulado, e muito, por conversas bastante construtivas com @amirasierras e Mr. Obst.

Sexta-feira, Janeiro 14, 2011

A Natureza Apresenta Suas Armas*

Tristeza ao ver notícias sobre a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro é o principal sentimento a ser expressado, sem dúvida alguma no momento.

Mas a reflexão que deve ficar é: quem são os responsáveis por tal tragédia e o que deve ser feito a respeito.

A ocupação irregular, ocorrida ao longo de anos e anos de descaso do poder público é a causa de tal problema, especialmente ao sabermos que as condições geográficas da região são propensas a esse tipo de deslizamento devido ao volume de chuvas. Então o poder público é o responsável em última instância por permitir a instalação de cidades e moradias em uma região que oferece tantos riscos.

E enquanto a mentalidade política não deixar de focar obras e decisões meramente eleitoreiras que simplesmente, não se preocupando com o dia de amanhã, com as gerações futuras, com a preservação da natureza e o desenvolvimento sustentável, bem: NADA IRÁ MUDAR!

Só não pensem vocês que aqui me refiro apenas ao Rio de Janeiro; aqui em São Paulo o número de vítimas foi muito menor, mas certamente passamos pelos mesmos problemas, sendo apenas beneficiados pela geografia da região, mas a ocupação das várzeas dos rios - que simplesmente seguem a natureza ao extravasarem suas margens - gera efeitos muito devastadores e prejuízos incontáveis nessa época de chuva.

Então, para encerrar, pergunto: SENHORES POLÍTICOS, QUANDO ALGO SÉRIO E CONSCIENTE SERÁ REALMENTE FEITO NO BRASIL?

* Título livremente inspirado em refrão da música Selvagem, dos Paralamas do Sucesso. E a arma da natureza é sua característica inexorável, que não para ante "pequenos" obstáculos impostos pela humanidade: ela simplesmente segue o seu rumo!

Terça-feira, Novembro 30, 2010

O Rio de Janeiro continua... Continua o que?

E a que ponto chegamos, não é mesmo? Mas a pergunta poderia ser: como esperamos chegar a esse ponto antes de algo ser feito?

Ok, mas mesmo agora que as operações para o desmantelamento das bases atuais do narcotráfico - e isso pode ser aplaudido por ser absolutamente necessário, mas sempre garantindo-se os direitos civis principalmente dos moradores que não têm nada a ver com a história - foram concluídas, só escuto falar-se a respeito de novas UPPs, treinamentos para os policiais especiais e permanência do exército ocupando os morros e complexos.

Mas onde estão as propostas para dar dignidade às pessoas que moram nessas regiões? Os projetos de educação que vão garantir oportunidades reais e produtivas para as crianças, para que elas possam ser pilotos de avião e não o avião em si no futuro? E a infra-estrutura de saneamento, transporte e saúde extremamente necessárias? O que vai ser feito - na base - para que essa história não se repita, no Rio ou em qualquer outra cidade do Brasil?

É disso que sinto falta... É sobre isso que quero que todos discutam e então EXECUTEM as ações necessárias. Aos políticos cabe a criação e execução das atividades; a nós, cabe cobrá-los para que isso seja feito!

E por último, é claro que o Rio de Janeiro continua lindo! Mas ele tem o direito de ficar ainda melhor, não é mesmo?

Notas do Editor:
- E são tantas coisas acontecendo, além do trabalho, que não dá tempo de comentar tudo... Mas o caso do Wikileaks é de grande destaque, mostrando todo o mando e desmando dos EUA no mundo e também o quão apática pode ser a mídia. Acompanhem o Idelber Avelar (n'O Biscoito Fino e a Massa e/ou pelo Twitter), que está fazendo uma cobertura digna de nota a respeito!
- Ah, se alguém descobrir a fórmula para aumentar o número de horas do dia, favor entrar em contato.

Terça-feira, Novembro 09, 2010

Chove Chuva

Mas diferente da música, não acho a chuva ruim... Muito pelo contrário, já que desde pequeno, olhar uma bela chuva sempre me agradou.

Uma bela chuva de vento, quando durante o dia tudo chega a ficar branco. Aquela chuva de pingos grossos numa tarde de verão, que te convida a entrar nela. A chuvinha quase garôa, que nos dias frios, te convida a continuar na cama. Até aquelas com granizo, que deixam um ar de nevasca quando vão embora.

Todas essas são chuvas, e todas elas podem chover pra mim!

Inclusive as com raios e trovoadas, que dão uma cara totalmente nova, como uma espécie de vestido de gala para saírem a noite, ou quando nos trazem a noite durante o dia...

E com a chuva, muitas vezes aproveito memórias que acompanham a água a cair. Trombas d'água que praticamente inundavam o quintal de casa e quando em dias quentes ninguém ousava impedir as crianças de fingirem que nadavam no chão mesmo, para depois irem direto pro banho (Mãe, eu sou o último hoje!!!). As lembranças de olhar a chuva de vento enquanto seus pais falavam do dia de seu casamento. Das noites quentes de Natal, quando sempre chovia antes de chegar na casa da Vó.

Ah a Chuva, que traz muito mais do que sua cristalina água...

Quinta-feira, Outubro 28, 2010

Horário de Verão

Uns odeiam, outros não ligam... Mas é fato que eu realmente gosto do horário de verão!

Para quem fala que na parte da manhã está muito escuro, bem, eu já saio normalmente cedo, então isso não muda muito pro meu lado. À noite, só tenho a agradecer pelas horas adicionais de Sol, que me deixam ver melhor minhas idas e vindas diárias e até curtir um pouco da cidade que tanto gosto. Já quanto às reclamações sobre a confusão de mudar repentinamente de horário, nem ligo, pois só não se acostuma rapidamente quem não quer; afinal, estamos falando de apenas uma hora.

Mas, como nada é perfeito, uma coisa realmente me irrita, e só posso concordar com a Amanda que pensa da mesma forma: odeio, mas odeio mesmo aquelas pessoas que ficam dizendo "que agora na verdade é...", "ah, mas no horário normal serial tal hora..." e por aí vai.

Ah meu povo, tem gente que enfrenta mudanças de fuso horário muito maiores do que essa mísera hora e acostuma. Então, vamos curtir o que há de bom na coisa e deixar as preocupações para assuntos realmente importantes.

Talvez não eleger pessoas despreparadas em um pseudo voto de protesto. Ou quem sabe começar a cobrar o governo por mais transporte coletivo de qualidade para resolver o problema do trânsito ou, melhora ainda, por educação de qualidade para todos.

É, se pensarmos bem mesmo, acho que deixar o relógio adiantado uma hora por um tempo, nem é um problema tão grande assim, não é?

Segunda-feira, Outubro 25, 2010

E o Histórico já está de volta!

Taí, e quase nem deu trabalho, estando praticamente todos os textos do histórico do Idéias.

Casa nova, textos históricos e um novo template por vir... O trabalho ainda não acabou, mas o Idéias voltará à ativa (ou seria o Muta a voltar?), um pouco diferente, um pouco mudado, ou seja, em constante mutação!

O Idéias de Casa Nova

Aviso aos navegantes: não se assustem com o visual diferente e a falta dos arquivos históricos aqui no Idéias.

Acontece que, com o tempo escasso e a vontade de me dedicar a outros projetos, manter um hostess e as tarefas de configuração do site não se justificavam mais, então resolvi migrar o domínio - e futuramente os textos antigos, prometo - para o antigo endereço do Idéias Mutantes - Lado B, que foi então promovido.

E, aos que se interessarem, agora também estou no "Lá e de Volta - Onde o Trabalho me Leva", falando sobre as minhas idas e vindas diárias, minhas viagens, dicas de estradas, hospedagem, restaurantes e tudo mais...

Ah, e muito obrigado por continuarem passando por aqui!

Terça-feira, Agosto 24, 2010

Revoada de Içás

Quando eu era pequeno – em plena Zona Leste de São Paulo, nos idos dos anos 80 – certo momento do ano sempre era responsável por me trazer uma alegria especial. E como eu sempre fui um ser estranho, não se tratava de uma data comemorativa, nem de algum feriado importante, mas sim do dia em que acontecia a revoada de içás.

Em geral esse era o dia em que o tempo mudava, fazendo o dia mais quente logo depois do inverno propriamente dito. Era, para mim, o momento em que os dias frios de inverno ficariam para trás e as tardes seriam sempre quentes e boas para brincar!

Nada mais de ficar encapotado em casa, com frio e esperando a hora de dormir chegar. Correrias no quintal, passeios de bicicleta pela vizinhança, explorações pseudo científicas ou arqueológicas nos jardins, poder brincar com água, ficar deitado de barriga pra cima no quintal, esperando as estrelas aparecerem... Tudo isso e muito mais voltaria ser possível a partir daquele dia especial.

Ou seja: a revoada de içás mostrava que tudo seria ainda melhor a partir daquele momento...

***

Então, ontem à noitinha, enquanto voltava para casa dirigindo pela Marginal Tietê e chegando à mesma Zona Leste da minha infância, percebi algo tremeluzindo às luzes dos faróis.

Pequenas criaturas aladas, excitadas pelo primeiro, e verdadeiro, dia de calor após o inverno, se aglomeravam nas luzes dos postes e dos carros – que mal andavam devido ao trânsito – e, mesmo sabendo que coisas simples como correr pelo quintal e se divertir com os brinquedos na água já não são exatamente uma realidade, eu me lembrei de quando era criança.

Afinal, eu estava em casa, eu estava bem e tranqüilo; eu sabia que tudo seria ainda melhor a partir daquele momento!