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quarta-feira, abril 15, 2009

A ex-melhor amiga

Além de um ex-marido, tenho também uma ex-melhor amiga. É uma vergonha, eu sei, mas ela deixou de ser minha melhor amiga exatamente quando, no passado, o ex-marido passou a ser um namorado sério. É sério! Ela teve ciúme do meu relacionamento com ele, que sugava minhas energias, minha atenção, meus finais de semana. "Você não tem tempo para mim!", ela protestou. E me mandou mais alguns impropérios por e-mail, os quais jamais consegui superar.

Mas o mundo dá voltas, não é mesmo? Eu e ela amadurecemos, ela enfim namorou seriamente um par de vezes, noivou outro par de vezes e, ao que me parece, ainda está à espera de seu grande amor.

Hoje cedo recebi um e-mail da minha ex-melhor amiga, desta vez sem qualquer tipo de acusação. Ao contrário, a missiva eletrônica afirma (e reafirma) toda a sua disponibilidade para me ouvir e me amparar neste momento tão difícil de minha vida.

Respondi o e-mail assim que o recebi, porque não sou mal educada. Mas, oh, faz mais de quatro meses que me separei e só agora ela ficou sabendo de parte da história. Porque a mãe dela ligou para a minha mãe.

A amizade incondicional que antes nos unia transformou-se em diferença, depois em indiferença. Triste, não?

quarta-feira, abril 08, 2009

Amizades

Eu estou virando um disco riscado, de tanto que falo na ex-separação. Ex-separação porque separação do marido é estranho demais e separação do ex-marido é mais estranho ainda. E simplesmente "separação" pode ser separação de muita coisa. Separação da família, dos amigos, do próprio corpo... Mas isso pouco importa, o que é relevante vem nos próximos parágrafos, mesmo que retomando uma das histórias da ex-separação.

Uma das (muitas) coisas que enlouqueciam o exmaridóvski eram minhas amizades. Não tanto as amizades em si, mas o fato de eu ter muito mais amigos homens do que mulheres, numa relação de aproximadamente 3 para 1. De 4 amigos, 3 do sexo masculino e 1 do mesmo gênero que eu.

Intrigava ainda mais o exmaridóvski o fato de eu ser muito mais chegada dos rapazes do que das garotas, de modo geral. Quando um deles tinha algum problema, era a mim que recorriam. Quando elas tinham algum problema, recorriam a qualquer pessoa, menos a mim. E eu, sempre que tinha algum problema, recorria a todos eles, e neste caso o masculino não é usado como gênero neutro, mas como indicativo de que nesse grupo só havia garotos mesmo.

Isso faz tempo, nós mal saíramos da adolescência.

Mas eu, exmaridóvski e amigos correlatos crescemos. E os problemas também, e as amizades também. Cresceram tanto que tiveram de ser podadas pelo ser que então já era meu anexo, meu apêndice, meu acompanhante certo e impreciso. Cortou-me as asas, com o meu consentimento, e eu firmei os pés no chão e nunca mais ousei voar.

Elas, eu encontrava com exclusividade vez ou outra, depois de muito solicitar e de longas negociações a respeito de dias e horários ideais - a ocupada agenda familiar não podia ser desrespeitada.

Eles, eu encontrava na Internet, exclusivamente via e-mail ou msn, porque nem no Orkut era possível ficar à vontade.

Elas e eles, acredito, compreenderam a natureza do meu sumiço. Aceitaram desculpas esfarrapadas para as minhas ausências nos sábados de pizza, e embora reivindicassem o ombro amigo de volta, bem sabiam que sobre ele pousava uma mão pesada chamada casamento.

Com o nascimento do filhote, a alegria tomou conta do lar e da vida. A dedicação à família deixou de ser exclusiva, tornou-se obsessiva. Casa-marido-filho, não necessariamente nessa ordem, compunham meu trio extratrabalho. Foi uma prisão consentida por mim mesma, e muito desejada e incentivada pelo exmaridóvski.

Contudo, por mais que a flor de lótus se origine da lama e que nela tenha suas raízes, o botão encaminha-se em direção à luz e somente na superfície desabrocha, como flor imaculada, despejando na atmosfera todo o seu esplendor. Tentar retê-la no caminho é impedi-la de cumprir seu destino e condená-la à eterna lama de uma vida não florescida.

E eu, baixinha folgada que sou, recusei-me a permanecer na prisão obscura. Separei-me, enfim, e agora alegro-me por poder ter tantas amigas e tantos amigos quanto desejo, independentemente de seu sexo, de sua classe social, de sua etnia, de sua profissão. Se as amizades originadas na Internet, em especial, antes eram motivo de desconfiança para o exmaridóvski, bem, agora me rendem muitas risadas, muitos prazeres, muita realidade, enfim.

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Encontre-me ocasionalmente no meu blog seminal, o feminino do lótus. E toda quarta-feira aqui, no Idéias.