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terça-feira, abril 29, 2014

Considerações da Vida Moderna: Bacon

Ah menina, menina...

Toda vez que passo por aquele lugar sou assaltado por tão fortes sentimentos que meu coração bate tão forte que chega a parar.

Só não sei se é por sua causa, ou por conta de todo aquele bacon!

terça-feira, outubro 29, 2013

O Grande Procrastinador

Naquela manhã, quando todo um conjunto de atividades estava programado, ele levanta da cama, vai até o sofá e liga o computador.

E então o dia, como que num passe de mágica, já estava terminado para o Grande Procrastinador...

quinta-feira, agosto 15, 2013

A Bebida Mais Nerd do Mundo

Esqueçam bebidas sugeridas em filmes de ficção científica, esqueça bebidas e outro mundo, esqueça tudo isso!

Star Wars, Jornada nas Estrelas, Guia dos Mochileiros da Galáxia; muitas bebidas alienígenas podem sim ser encontradas nessas séries, mas, vejam bem: quem realmente já provou uma bebida Vogon por exemplo?! Se bem que, a julgar pela poesia Vogon, uma bebida desse mundo não deve ser também uma experiência lá muito boa...

Mas voltando à bebida mais nerd do mundo, podemos dizer que ela é bem terráquea mesmo, mesmo que considerada divina por muita gente, nessa e em épocas passadas!

Raciocinem comigo: ela é antiga, muito antiga! Certamente mais antiga do que a cerveja e existem dúvidas se é ou não mais antiga do que o vinho. Ela foi a bebida dedicada a deuses dos mais diversos panteões das mitologias do planeta, passando pelos Gregos, Romanos, Indus, Nórdicos e até os Maias! Histórias medievais costumas evocar a bebida em diversas ocasiões, festas de origens ancestrais, ritos celtas e afins. Jogos de RPG inspirados na idade média também a popularizaram. Thor a levou irrevogavelmente ao universo das histórias em quadrinhos. Histórias fantásticas em geral, de Tolkien a George R. R. Martin, passando por C.S. Lewis, Harry Potter, o grande Neil Gaiman e tantos outros evocam essa bebida em suas histórias. E é sabido por todos que os anões fazem as melhores variedades da bebida!

Será que preciso dar mais dicas? Ou será que vocês já adivinharam do que estou falando? Tem como ser mais nerd do que isso?

Pois bem, sem mais delongas, estou falando do mulso, popularmente também conhecido por hidromel!

Tudo o que eu disse acima é verdade... E se todas essas características não a classificam como a bebida mais nerd do mundo, tenho algo mais a dizer.

Como o próprio nome sugere, o hidromel é uma bebida fermentada a partir de água e mel. E essa simplicidade não é nenhum tipo de pegadinha, pois ela é realmente muito simples. Tão simples, mas tão simples, que o fator nerd definitivo é justamente esse: ela pode ser feita em casa!

Sim amigos nerds! Querem fabricar sua própria bebida mítica em casa? Quer se sentir mais próximo de seus heróis favoritos e histórias mais fantásticas, no melhor estilo Faça Você Mesmo? Quer ter a possibilidade praticamente alquímica de fabricar sua própria bebida alcoólica?

Então façam como eu e comecem hoje mesmo a fabricação!

Fermentadores: caseiros e funcionais!
Notas do Editor:
1. A produção demora algo em torno de 3 meses, então definitivamente a paciência é uma virtude.
2. O da direita tem um hidromel praticamente tradicional, com exceção da adição de uvas passas para alimentar a fermentação. A receita dele pode ser encontrada AQUI, mas o meu está levemente diferente.
3. O da esquerda é um hidromel JAOM (Joey's Anciente Orange Mead - Mulso de Laranja Tradicional do Joey), que é muito, mas muito prático mesmo de ser feito. Me inspirei nessa receita AQUI.
4. Esses foram começados dia 06/08 e 14/08/2013 respectivamente. Lá por volta de novembro volto a falar sobre o resultado.

quarta-feira, agosto 26, 2009

De bacana

Numa noite enluarada, numa noite calejada, numa noite de frio ou de calor... em qualquer noite de SP é possível dar um tempo no estresse e uma pausa na monotonia. Quem me conhece um tantinho sabe da minha predileção pelas mesas de bar - ainda assim, oscilo entre a boa comida e a boa bebida como meus programas favoritos. Faltou juntar a esse rol a boa música, claro!

Música ao vivo, quando de boa qualidade, massageia toda a minha alma. Lá se vão quase 25 anos desde que pedi ao meu pai um violão de presente e ganhei, além do instrumento musical de primeira linha, o compromisso de frequentar um curso. Levei a empreitada a sério, menina cdf que sempre fui, e talvez hoje tocasse algo de bom se não tivesse largado tudo pelos treinos de natação.

Assim que executei minhas primeiras valsinhas, meu pai se encheu de tanto orgulho que correu para comprar fitas k7 de Baden Powell, que sonho! Hoje rio com os delírios paternos, mas à época me pareceu uma responsabilidade e tanto passar as tardes ao som daquele violonista que misturava os superpoderes do Flash com os do Wolverine.

Talvez venha dessa época toda a minha admiração por gente que toca com a música. Toca não só os ouvidos, mas o coração, o corpo inteiro. Transcendência! E em alguns cantos desta cidade cinza, quem diria, é possível encontrar sons de diferentes cores para sacudir os tímpanos, tirar a poeira e embalar um romance.

Foi assim que eu conheci os clubes Jazz nos Fundos e Bar B. O primeiro, esquema de bacana, nos fundos de um estacionamento, não aceita cartão e cobra caro pela bebida e pela comida (esta bem safadinha), mas sempre oferece em seu cardápio música de excelente qualidade. O segundo, esquema de bacana também, no centro da cidade, em uma ruazinha escondida, mas com preço mais acessível e música de qualidade oscilante, ainda que sempre superior à média. Primeira ou segunda opção, na verdade, tanto faz, o que importa mesmo é estar em boa companhia para degustar o som, desopilar o fígado, desafiar o ócio, desregrar os ouvidos, desacorrentar o coração.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Eu sonho

Não sou ligada nas histórias astrológicas, mas dizem por aí que piscianas como eu costumam ser pessoas sonhadoras e avoadas, de humor instável e bastante emotivas. Eu sou um pouco de tudo isso e mais um tanto, pois que tenho ascendente em câncer, outro signo da água a me tornar fluida.

Por influência dos astros ou não, o fato é que sonha acordada faz parte da minha história tanto quanto a herança oriental recbida via DNA. De olhos abertos ou fechados, a contabilidade de horas dedicadas à mais pura divagação já vai longe. Objetivos profissionais, anseios maernos, acontecimentos fortuitos, paixões desenfreadas - qualquer elemento serve de espoleta, à espera de um toque no gatilho para disparar diante de mim infindável mundo onírico.

Já sonhei sonhos absurdos, confesso, mesmo acordada a consciência nem sempre parece atinar para as minhas limitações físicas, estéticas, intelectuais e financeiras.

Contudo, sonhar o improvável tem lá suas benesses. Porque às vezes, talvez por misericórdia do destino, o impossível ganha um "quase" de atenuante. E de repente vejo-me realizando uma porção de coisas antes apenas sonhadas. Estudar numa faculdade pública. Ter minha própria casa. Ver o Popov nadar bem de pertinho. Criar um blog e ter leitores. Escrever, editar e bancar um livro...

O destino tem sido um tanto misericordioso comigo nos últimos tempos. Apesar da minha aparente letargia, em 8 meses de 2009, digo de cabeça erguida, transformei em realidade um bocado de ninharias que antes não atrevia a revelar a quem quer que fosse.

Continuo, como não poderia deixar de ser, a sonhar o improvável e a imaginar conjecturas desconexas. Ainda tenho enorme dificuldade para organizar o cotidiano, marcar consultas médicas, pagar contas no dia certo, manter a geladeira abastecida. Procedimentos triviais como esses costumam drenar boa parte da minha atenção e memória. Mas tenho sempre a me impulsionar o desejo de realizar ainda mais sonhos, por mais triviais que estes possam parecer.


Texto atrasado, mas eu continuo aqui, nada em dia com o meu bloguinho de flor...

terça-feira, agosto 11, 2009

Profissões Constrangedoras

Devido às agruras que enfrentamos no dia-a-dia em um escritório e em grande parte depois de começar a assistir aos episódios de "The Office", passei a reparar com mais atenção às situações constragedoras que enfrentamos no trabalho. Discursos do tipo "Estou muito contente por estarmos celebrando a união do time, mas lembrem-se que ninguém tem estabilidade no emprego...", metáforas sexuais aplicadas em momentos impróprios e sinais claros de machismo são muito, mas muito freqüentes mesmo.

Mas também é claro que essas situações não acontecem em 100% do tempos - como no The Office - e isso me fez pensar em onde, na vida real, poderíamos encontrar uma quantidade muito grande de situações constragedoras. Algumas profissões acabaram me chamando a atenção e imagino que seriam elas as mais constragedoras que existem, como podemos ver a seguir:

Camareira de Motel: pois eu fiquei pensando com que frequência são encontradas coisas quebradas de maneira inusitada e estranhos esquecimentos nos quartos de motel! Lençóis amarrados entre a cabeceira da cama e a maçaneta da porta (quiçá numa tentativa de realização da posição 1569 - a vitória-régia trepadeira com salto duplo carpado - de alguma versão revista e ampliada do Kama Sutra), cadeiras não eróticas quebradas devido a algum uso não usual e até, depois que aquele casal simpático saiu, um Black Dildo 30 cê-ême com cinta ajustável feminina...

Recepcionista de Motel: imagino que praticamente cada chegada de um casal a um motel seja em si um momento tenso para o recepcionista de plantão. Afinal, o que a pessoa vai encontrar quando a janela do carro for aberta pode ser sempre uma surpresa, quando, por exemplo, aquele velho babão chega com uma ninfetinha ou aquela senhoura de alta classe arrasta o pintor - ainda de macacão cheio de tinta - para o quarto. E na hora da saída então, ao comunicar algo encontrado pela camareira para aquele casal simpático prestes a pagar a conta? "Por acaso vocês esqueceram um Black Dildo 30 cê-ême com cinta ajustável feminina no quarto?" deve ser algo um pouco tenso para ser dito, especialmente com as possíveis resposta à essas perguntas.

Vendedor de Sex Shop: imagino o quão frequentemente as pessoas perguntam se os vendedores têm algum desconto de funcionário e também se eles já "testaram" o que vendem. E será que eles já se acostumaram toda vez que um cara chega perguntado se eles tem um Black Dildo 30 cê-ême com cinta ajustável feminina disponível na loja?

Triagem e Atendentes de Pronto Socorro: sim, já ouvi histórias cavernosas (caverna, gruta, entenderam a infâmia da coisa, hein-hein?) sobre situações deveras inusitadas que chegam aos PSs desse mundo cão... Mas ainda assim - e talvez justamente pelas inúmeras histórias - sempre vejo os profissionais da área apresentando um profissionalismo invejável quando estão na frente dos pacientes (já quando estão entre eles eu não sei...) e imagino que uma frase do tipo "Doutora, tem mais um com um BD30CM com a cinta ajustável pra fora esperando na sala dois." seria dita com grande naturalidade e, no máximo, com uma leve pitada de sarcasmo.

Pesquisador de Remédios Contra Disfunção Erétil: pois quando pensamos nos gastos astronômicos dos desenvolvimentos da indústria farmacêutica não podemos deixar de considerar o valor pago aos pesquisadores em questão, especialmente quando alguém chega dizendo: "Eu sei que vocês não prometeram nada, mas eu estava apostando tanto nessa pilulazinha azul... Desse jeito eu vou ter que acabar usando também o Black Dildo 30 cê-ême com cinta ajustável da minha esposa, minha gente!".

É, não me parece nada fácil encontrar profissões mais contrangedoras do que essas, não é?

Não é?

Notas do Editor:
- Black Dildo 30 cê-ême com cinta ajustável feminina é um nome fictício, oriundo da mente distorcida do autor.
- Exatamente por conta disso, não, não teremos informações adicionais para eventuais interessados.
- O mesmo pode ser dito sobre a posição 1569 - a vitória-régia trepadeira com salto duplo carpado - ou sobre alguma versão revista e ampliada do Kama Sutra

quarta-feira, junho 24, 2009

Pula a fogueira, iaiá

Junho já está chegando ao fim, mas se depender das paróquias da minha cidade, os festejos continuam por mais de mês. Que bom! Assim, terei programa garantido com o meu guri por mais uns finais se semana.

Eu e o meu pequeno adoramos festa junina! O balão vai subindo, vem caindo a garoa, e nós colocamos nossas toucas de lã, duas calças e mais um tanto de blusas para ver o povo na quermesse.

A vantagem de festa junina de paróquia pequena é ter barraquinhas com quitutes realmente feitos em casa, que podem não ser assim tão bonitinhos e padronizados, mas certamente possuem sabor (e aroma e textura) sem igual. Sempre tem paçoca de rolha e bolo de padaria, é claro, mas desses a gente escapa numa boa.

A parte engraçada é que meu pequeno faz parte de uma nova geração caipira. Para ele, hot dog é o mais autêntico quitute junino, tanto é que mal colocamos os pés na festa, ele logo pede: "mamãe, eu quéo pão com salsicha" (sim, ele diz "salsicha" direitinho). E não há quem o convença a provar, primeiro, a canjica, o cuscuz, o pé de moleque...

Devorado o cachorro-quente, meu pequeno passa às brincadeiras. Ou melhor "à" brincadeira, pescaria, claro. Ele só não consegue entender por que tanto esforço para fisgar um peixinho se, afinal, temos de devolvê-lo! O guri nunca se interessa pelas prendas, ele sempre quer mesmo é levar o peixe para casa, seja ele de plástico, de madeira, de papelão.

Ainda não tivemos a oportunidade de ir a uma quermesse com fogueira, que pena! Ia ser uma delícia embrulhar uma batata doce ou uma cebola em papel alumínio e botar pra assar no meio da brasa. É certo que minha cria não teria muita paciência, mas enfim, é certo também que ele ia adorar provar o resultado.

Sábado é dia de ele me mostrar o que tanto tem ensaiado na escola. Não tenho muitas expectativas porque afinal ele nem tem quatro anos. Mas cá entre nós, não vai ter caipirinha mais fofo do que o meu guri!


Ao que tudo indica, o Editor continua sem-vergonha!

sexta-feira, maio 08, 2009

Minhas maldades

Sempre me considerei uma pessoa do bem, mas como ser boazinha em tempo integral é impossível, e até mesmo um pouco enfadonho, não nego que já aprontei algumas maldades ao longo da vida.
Isso não significa, porém, que eu me orgulhe desse meu lado maquiavélico, mas também não me envergonho delas a ponto de não poder dividi-las com vocês.
Portanto, escolhi algumas que julgo serem razoavelmente inofensivas, esperando que não desabonem minha conduta.

- Começarei com aquela que considero a mais light delas, mas que por ter acontecido quando eu tinha apenas 10 anos, já pode ser considerada uma amostra do que viria a fazer aos 20.
Nessa época ainda morava no Rio de Janeiro, e meu contato com São Paulo era praticamente nulo. Portanto, não sabia que o que no Rio se chama de biscoito, em São Paulo é conhecido por bolacha. O simples fato de um nome ser no feminino e outro no masculino, foi exatamente o que deu margem para que eu pudesse sacanear uma colega paulista que ao me ver comendo o quitute supracitado, veio até mim e disse “Me dá uma?”. Claro que eu sabia do que ela estava falando, mas como não era muito fã da menina e estava a fim de provocar, não tive dúvidas e perguntei “Uma o que?”. Ao que ela olhou pro pacote com carinha de brava e disse “Uma bolacha, oras”. Eu com a cara mais inocente do mundo, só disse: “Aaaahhhh, um biXcoito né?”. Claro que dei alguns, ela ficou feliz e eu tive minha parcela de diversão.

– Esse episódio aconteceu na mesma época do anterior. Nos idos de 1980, havia no Rio umas carrocinhas espalhadas pela cidade, que vendiam todo tipo de guloseimas, nas quais eu e meus coleguinhas fazíamos compras com frequência, principalmente na de um senhorzinho que costumava ficar perto do nosso prédio. Eis que um dia em plenas férias de verão, estávamos sem nenhum dinheiro, mas com muita vontade de comer besteira.
Não pensamos duas vezes. Éramos um grupo de umas seis crianças, sentamos e bolamos um plano de como fazer pra assaltar o podre velhinho.
Em pouco tempo estávamos fazendo uma algazarra na frente da carrocinha, e enquanto uns distraíam o sujeito, outros atacavam seu estoque, grupo esse do qual eu fiz parte. Nem conseguimos pegar muita coisa, mas, mesmo assim, até hoje lembrar isso me deixa com um pouco de dor na consciência.

- Quando aconteceu esse “delito“, não tinha mais do que uns 12 anos. Eu, minha irmã e duas amigas nossas, resolvemos assaltar o quarto de uma outra colega do nosso prédio. Fomos para lá munidas apenas de um bom plano e de camisetas larguíssimas que foram usadas como depósito do material recolhido. Esse constava de miudezas que enchiam os olhos de qualquer criança menos abastada do que a vítima, ou seja, borrachas e lápis coloridos, adesivos meiguinhos e outros pequenos enfeites. Foi um feito espetacular para meninas daquela idade, assaltar o quarto de uma coleguinha sem termos sido descobertas. O motivo para tamanha ousadia, nenhuma das quatro, até hoje descobriu qual era. E também nunca conseguimos entender como a menina não viu que havia quatro delinquentes mirins fazendo o rapa no seu quarto.

- Essa talvez tenha sido uma das minhas últimas (e piores) maldades. Já tinha 20 e poucos anos, estava na faculdade e entre as pessoas com as quais me relacionava, estavam A., minha mais frequente companhia e uma pessoa com tendências do mal, e G., uma loira oxigenada estilo periguete, cujo sonho de vida era ser modelo.
Um belo dia, eu e A. tivemos a brilhante idéia de sacanear G., sem nenhum motivo aparente.
O plano: Ligar pra ela, inventar que éramos de uma determinada agência e que gostaríamos de fazer umas fotos com a aspirante a modelo. Para dar um tom mais real à brincadeira, tivemos a idéia de pedir que ela levasse alguns itens para compor as fotos (e já não me lembro mais quais eram, mas sei que se tratavam de inocentes apetrechos femininos para ajudar a compor um look legal).
Como tínhamos certeza de que ela aceitaria, já tínhamos tudo pronto. Demos o endereço do prédio em frente ao meu e ficamos de espreita na minha casa, vendo a cena.
Eis que ela aparece na porta do prédio na hora marcada, com uma sacolinha na mão e em poucos segundos se dá conta de que havia algo errado. Estava num prédio residencial, o apartamento cujo número demos não existia, assim como a pessoa que ligou pra ela e muito menos tal agência.
Sei que ficamos ali alguns bons minutos vendo-a discutir com o porteiro e em seguida ir embora sem entender o que havia se passado.
Difícil mesmo, foi no dia seguinte termos que ouvir impassíveis à história e controlar a vontade de rir. Mesmo tendo sido uma grande maldade, tínhamos achado o acontecimento engraçado, e porque não dizer, bem bolado.
Ah, e ela sabia onde eu morava, mas era tão, tão tapada que simplesmente foi incapaz de juntar A com B e se dar conta de que tudo não passou de uma grande brincadeira de mau gosto.

segunda-feira, maio 04, 2009

Defendendo a Categoria

Pois falemos brevemente sobre o curioso caso da Gripe Suína...

Não, não, o "curioso" em questão não é o fato dela ter surgido - causando pânico e consternação pelo mundo afora - e agora, sem mais nem menos, toda ameaça estar parecendo arrefecer. O curioso mesmo foi ela ter surgido justamente no ápice dos escândalos envolvendo o legislativo brasileiro (só para variar) quanto ao mau uso do dinheiro público (novamente, só para variar), só que agora tratando da utilização das cotas de passagens aéreas de uso parlamentar (Por parlamentar entendam, esposas, amantes, namoradas, filhos, o Saci, o ET, o Capitão Panela e outros, afinal a sorte, digo, as passagens, vêm pra todos!) e, então, por conta do desespero e preocupação para com a Gripe Suína, quase todo o foco foi pra ela, deixando nossos "pobres" parlamentares em segundo plano.

Mas vejam só como os porcos, ah os porcos!, são tão eficientes defendendo a categoria: lançaram até uma gripe para isso!
"The creatures outside looked from pig to man, and from man to pig, and from pig to man again; but already it was impossible to say which was which." - Animal Farm, George Orwell

sexta-feira, abril 24, 2009

Dedo Podre

Fico me questionando se um dia terei um relacionamento normal, com um homem que não seja um problemático, confuso, alcoólatra ou qualquer coisa que atrapalhe a nossa convivência.

É impressionante o dom que tenho de arranjar namoros/casos complicados. Sei que não sou a única, muitas mulheres também reclamam do mesmo assunto e eventualmente arrumam trastes bem piores, portanto é inevitável que de vez em quando eu me manifeste a respeito.

Estou aprendendo a não me sujeitar a "qualquer" relacionamento só pra não ficar sozinha, e estou conseguindo dizer não com mais facilidade, principalmente quando percebo que determinada história mais cedo ou mais tarde vai me dar dor de cabeça. Só que pra aprender isso, infelizmente tive que padecer em outras relações, e sim, me sujeitar a atitudes do ser amado, nas quais hoje penso e me dou conta do quão tonta eu fui. Tudo pra não perder um suposto amor, com medo de que a fila nunca mais andasse.

O medo ainda existe, mas cada vez menor. A última vez em que isso aconteceu, uns 4 meses atrás, a idéia de ficar sozinha já não me assombrava tanto, e prova disso é que a fila andou bem mais rápido do que eu imaginava. É bem verdade que já parou de novo, mas como ainda é recente, estou sossegada.

Não canso de pensar em antigos relacionamentos e o quanto a loucura de cada um deles me ensinou. Curiosamente, os mais problemáticos, por razões que a razão desconhece, são aqueles que me deixam mais apaixonada. O ápice foi um cara com quem namorei uns 2 anos atrás, e que me fazia muito, muito mal, mas com o qual eu tinha uma sintonia, uma química absurdas que simplesmente me cegavam e me impediam de me afastar dele. Vivíamos como gata e rato, brigas constantes, promessas de abandono que eram quebradas em questão de minutos, ofensas, choro, enfim, uma verdadeira novela mexicana. Até que de repente, um dia a ficha cai e eu me dou conta de que conviver com um sujeito alcoólatra, bipolar e complexado não é nada agradável. E ainda me comparava com a mãe dele. Horror !!!!! Esse, no fundo precisava de uma mãe pra cuidar dele, e não de uma namorada.

Aí finalmente me recupero e conheço outro sujeito muito legal e penso, agora vai ! E até que foi mesmo, levando em conta que o moço da vez não curtia se envolver e termos ficado "juntos" por 9 meses. Esse nem era problemático, muito pelo contrário, era um doce de pessoa, um dos caras mais legais que conheci na vida, mas um pouco fechado demais pro meu gosto e que estava me transformando numa pessoa mais travada. Gosto de elogiar, fazer certos comentários, mas que com ele deixei de fazer pois senti que não ficava a vontade, e meu instinto de preservar a relação (que sempre foi muito legal), falou mais alto. Infelizmente, por outros motivos, a relação acabou.

Muito recentemente outro sujeito entrou na minha vida. De uma maneira curiosa, rápida e de certa forma fulminante. E que acabou tão rápido quanto começou. Pra quem não sabe, eu tenho um defeito físico deveras visível, e o moço que (pasmem !) também tinha um tão ou mais visível ainda, disse que não conseguiria conviver com o meu. O cruel é que quando essa informação chegou até mim, o estrago já tinha sido feito, pois já estava de certa forma envolvida, e não esperava por aquilo. O baque foi forte, mas como aconteceu tudo muito rápido, me desfiz do sofrimento em muito pouco tempo e estou pronta pro próximo.

Num relacionamento bem mais antigo, o sujeito em questão, além de ter problemas de relacionamento com o pai, não se aceitava, bebia mais do que devia (olha o mardita cana aí de novo!) e consequentemente acabava falando demais. Logicamente, em pouco tempo nos demos conta da situação e nos afastamos.

Outro porém quando se conhece alguém é que ambos até falam sobre alguns dos seus defeitos, mas nunca um sujeito vai chega e te fala de cara: "sou alcoólatra". Você infelizmente leva algum tempo pra descobrir, mas quando isso acontece, ou já deu alguma merda ou você já está envolvida a ponto do fim do relacionamento (por pior que seja) te fazer sofrer feito uma idiota.

Todos esses acontecimentos, me levam a pensar numa série de coisas.

É, por exemplo, impressionante como uma pequena cicatriz e uma barriguinha fazem a auto estima de um cara ser infinitamente mais baixa que a sua, uma manca com muito mais cicatrizes do que ele, mas com a cabeça extremamente bem resolvida. Como bem me disse um dos sujeitos acima, é tudo uma questão de como seus pais te criam e te jogam no mundo. Pensando bem, não posso culpá-los, mas posso ter o discernimento de escolher com quem conviver ou não e me dar conta de que de problemática numa relação, basta eu.

Dizem que as mulheres são complicadas, mas vejo pelos relacionamentos que tive, que, eu que teria 1001 motivos pra ser complicada, mal resolvida e de mal com a vida, tenho muito mais cabeça do que um bobão que sofre só por causa de uma barriguinha safada. E eles são tão fracos, que até encaram uma terapia, mas por pouco tempo. Quando as verdades vem à tona, desistem.

Outro agravante é o fato de que eu por ser uma pessoa extremamente passional, me jogo de cabeça num relacionamento, mesmo estando ciente de que mais cedo ou mais tarde é algo que vai me fazer sofrer. Mas ainda não aprendi a controlar isso, e quando o cara que está comigo também é assim, a coisa complica. Não nego que seja legal um cara apaixonado por mim, mas é bom que alguém tenha um pouco os pés no chão. Normalmente não sou eu.

Às vezes tenho medo do que vou encontrar pela frente. Claro que um pedófilo, um pansexual, um nazista, são realmente criaturas mais bizarras do que um gordinho alcoólatra, mas pessoas complicadas vão cada vez mais me assustar e fazer com que me afaste delas.

Será que a vida inteira vai ser assim, como um jogo de acertos e erros, ou um dia vai aparecer aquele homem com quem vou passar o resto da vida? Não sei ainda se acredito em amor, muito menos em amor eterno, mas se encontrar uma pessoa com a qual fique por muitos e muitos anos, sem muito sofrimento, sem dramas, já vou me considerar uma pessoa abençoada. Tem um certo ponto da vida em que cansa ficar pulando de galho em galho, e tudo que se quer é um porto seguro. Espero chegar lá um dia. E logicamente sem me sujeitar a aceitar o primeiro traste que aparecer na frente só pra não dizer que estou sozinha.

sexta-feira, abril 17, 2009

Eu me pergunto

A vida é um grande mistério. Em todos os sentidos, dos mais amplos aos mais prosaicos, é frequente nos questionarmos a respeito de uma série de assuntos.

Eu logicamente tenho minhas dúvidas existenciais, mas eventualmente me pego questionando sobre banalidades intrigantes do dia-a-dia. Não vejo a menor possibilidade destas dúvidas terem uma resposta plausível, mas como divagar em conjunto é sempre mais divertido, resolvi trazê-las até aqui pra ver se alguém mais tem resposta para as mesmas:

- Por que não se inventa um remédio para curar dores advindas de rompimentos?
Seria deveras reconfortante se depois daquele sofrido rompimento com o ser amado, pudéssemos tomar um comprimido, ou até uma injeção, que em questão de horas levasse pro espaço a vontade de chorar, as olheiras e principalmente as lembranças que invadem o coração e a alma e nos fazem sofrer.

- Por que cadarço tem vida própria e insiste em se rebelar nas horas mais impróprias?
Sabe aquele momento em que você vê seu ônibus passar, e tem que dar aquela corrida? Ou então quando você vê alguém em quem está de olho? E pior ainda, quando você está numa escada rolante que exige o mínimo de atenção para não causar acidentes? É nessas horas em que nos damos conta de que aquele maldito cadarço do tênis está desamarrado, tornando-se um potencial agressor à nossa integridade física e moral.

- Por que com tanto nome no mundo, os pais dão os mesmos nomes pros filhos?
Quando o nome é bonito, ok, mas já vi cada palavrão acompanhar gerações, que me dá pena de uma criança que se chama, por exemplo, Eustorgio (sim, ele existe, eu não inventei).

- Por que não podemos mudar de nome ao longo da vida?
Acho que seria divertido podermos usar vários nomes que achamos bonitos, (um de cada vez, que fique claro) mas que não foram escolhidos pelos nossos pais. Lógico que é uma idéia inviável, confusa, diria impossível, principalmente do ponto de vista legal, mas não custa imaginar como seria a vida tendo um nome diferente de tempos em tempos.

- Por que o inglês de tripulantes de avião é absolutamente macarrônico?
Só eu tenho a impressão de que eles falam como se tivessem uma batata quente na boca? Ás vezes eu acho que a culpa é do ineficiente sistema de som do avião, mas numa ocasião ouvi um deles falando e o inglês era tão bom, que me convenci de que o problema é sim, deles.

- Por que espinha de peixe tem atração por mim?
Costumo dizer que se elas se transformassem em algo interessante como dinheiro, eu estaria no paraíso. É impressionante como até aquele peixe que não tem espinha, passa a ter quando ele sabe que eu estou presente.
Um dia jantando na casa de uma tia, com mais 5 pessoas, ela me garantiu que o tal peixe assado não teria uma espinha. E de fato não tinha, no prato dos outros, pois duas das infelizes se empolgaram e saíram correndo pro pedaço de peixe que estaria no meu prato.

- Por que pessoas graduadas, pós-graduadas às vezes escrevem e falam tão, tão mal?
Não sou um ás do português, eventualmente cometo meus erros, mas tenho um mínimo de conhecimento que felizmente me impedem de citar frases como “a partir da meio dia e meio”, entre diversas atrocidades que ouço diariamente. A questão que me incomoda não é falarem ou escreverem errado, até mesmo porque grande parte da nossa população não teve chance de estudar. O que me deixa indignada é ouvir e ler erros grosseiros, de pessoas que supostamente tiveram uma boa formação, que frequentaram faculdade e muitas vezes têm até níveis mais complexos de estudo como doutorado e mestrado. O fato de terem conseguido entrar numa faculdade é algo que me espanta, mas me impressiona mais ainda, como conseguiram ser aprovados com um português tão ruim.

Como se vê, as minhas dúvidas não passam de divagações de uma mente insana, mas quem nunca se perguntou sobre certos mistérios insolúveis dessa vida?

sexta-feira, março 20, 2009

Imponente, mas impotente

Alguns dias atrás, São Paulo foi novamente palco das famosas águas de março que fecham o verão.

É ao mesmo tempo triste e curioso ver como uma cidade desse porte fica tão fragilizada com uma chuva. Intensa e demorada, é verdade, mas nem por isso essas características deveriam ser condições para que desastres como os que foram vistos, acontecessem. Seria sensato que a cidade tivesse estrutura capaz de suportar essas já esperadas chuvas de verão.

Acho inadmissível em 2009, com o mundo repleto de tecnologias, soluções inteligentes para uma série de problemas, ainda não existir uma maneira de evitar ou ao menos minimizar situações pelas quais não só São Paulo, como até mesmo cidades de primeiro mundo, passam em época de fortes chuvas.

Me incomoda ver moradores sofrendo com a perda de suas casas que muitas vezes levaram anos pra construir, falta de luz em diversos bairros por horas a fio, acarretando entre outros entraves, caos no trânsito já confuso (e com um número crescente de carros a cada dia), pessoas levando horas e horas pra chegar em casa, ou tendo que dormir no trabalho, motoristas perdendo seus carros arrastados pela água, entre outros contratempos. E o mais chocante, pessoas morrendo por falta de atendimento devido a impossibilidade de locomoção nas ruas e avenidas da cidade.

Ainda durante à noite, todos os veículos de comunicação nos bombardeiam com notícias sobre a catástrofe, e no dia seguinte, o prefeito aparece na tevê mais uma vez prometendo criar estratégias para diminuir o sofrimento dos paulistanos. Claro que ele não pode ser culpado por todo esse infortúnio, mas ver a impotência de uma megalópole como São Paulo diante de evento natural tão comum é, de certa forma, revoltante.

quinta-feira, março 05, 2009

Calores Noturnos

Noite Um

Ouvia gritos desesperados por todos os lados. Crianças, adultos, idosos, todos gritavam como se uma fera os perseguissem; ou os encuralassem.

O desespero os fazia suar desarvoradamente e percebi que, apesar de ainda não gritar – não, eu não havia me deparado ainda com o monstro – também me desesperava e suava.

Em certo momento decidi que eu não esperaria o-que-quer-que-fosse chegar: era eu quem a perseguiria. Peguei minha arma e saí pela noite quente procurando a fera guiado apenas pelos gritos do mundo...

Noite Dois

Todos à minha volta estavam entregues à lascívia e sofreguidão. De longe pareciam besuntados em óleo e isso se evidenciava à medida que ficavam nus.

Sim, as pessoas tiravam tiravam suas roupas no meio da rua e se entregavam aos seus mais secretos desejos. Sozinhos, em duplas, em grupos: nada disso importava.

O que todos queriam era a satisfação plena, de forma a comungarem num êxtase erótico irresistível. Sim, irresistível pois eu não podia mais ficar apenas olhando e corri de encontro à massa totalmente insana e descontrolada...

Noite Três

Próximo ao meio dia o calor era praticamente insuportável. A paisagem monótona do deserto não revelava sequer uma árvore – e sua sombra reconfortante – em meio àquele mar de areia.

Eu percebia que até o meu camelo – tão adaptado ao lugar – sofria e não aguentaria muito mais tempo desse jeito. Será que eu teria coragem de tomar o que restava da água em seu corpo caso o animal morresse?

Ainda perdido nesses pensamentos cada vez mais fortes, fiquei surpreso ao perceber uma brisa refrescante atingir o meu rosto e, ao levantar meu rosto, a visão do oásis que se aproximava me fez gritar de alegria e desafio em direção ao deserto. Não, não seria dessa vez que ele me venceria...

*******


Despertar Um



Mas o que estou fazendo aqui fora, segurando a pá de lixo como se fosse um revólver?

Despertar Dois

Era só o que me faltava: acordar totalmente pelado no meio do apartamento. Só espero que eu não tenha ido até la fora...

Despertar Três

Meu Deus, há quanto tempo estou parado na frente da geladeira aberta?

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Crises

Em tempos de crise, corremos o risco de - só para melhorar um pouco - cair nas garras de várias ao mesmo tempo. Pensando nisso, algumas me vêem à mente:

- Crise dos 30: apesar de sabermos que ela normalmente começa nos 29, não podemos confundir com a época da Grande Depressão. E olha que nessa - a dos 30 - também corremos o risco de cair em depressão.

- Crise Econômica Mundial: é mundial, por que todos sentimos os efeitos da danada. É econômica, pois os efeitos chegam aos bolsos no mundo todo, de países a lemingues. E é crise, bem, por ser um problemão. Mas o epicentro da coisa é a Terra do Tio Sam e a questão é mesmo falta de confiança no sistema financeiro e, consequentemente, falta de crédito generalizado. Ah se dependêssemos menos das verdinhas e das bolsas de valores...

- Crise nos Relacionamentos: em geral, o grande problema dessas é também a falta de confiança. Fico só imaginando quantos relacionamentos estão em crise por falta de confiança, no sistema financeiro e um no outro.

- Crise da Meia Idade: muito é dito, mas o meu conhecimento prático ainda se reflete apenas à crise dos 30, (Meu Deus, 30? Como isso foi acontecer comigo!). O que sei é que dizem que comprar carros esportivos, passar a agir como os filhos, um certo desespero e outras bizarrices são muito comuns nessa época.

Bom, no final das contas temos que ser fortes, pois crises tendem a ser passageiras e, mais cedo ou mais tarde, saímos delas. Mas, ainda assim, um pensamento curioso me ocorre:

"Devido à falta de confiança no mercado financeiro, os mercados mundiais, e muitas pessoas também, entraram em uma espiral de recessão, como durante a Grande Depressão. Mesmo, e principalmente, os mercados mais maduros, sofreram grandes impactos e o relacionamento entre empresas, governos e empregados sofre com isso, como podemos ver no mercado de carros esportivos e em outras áreas. Mas não nos deixemos desesperar, pois logo as verdinhas estarão circulando normalmente, e tudo voltará ao seu devido lugar. Afinal, temos que dar um crédito para o mundo, não é?"

Notas do Editor:
- Bah, afinal, o que o Muta sabe sobre economia?
- Já sobre crises...
- Idéia veementemente sugerida por AM.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Como em Amélie

No filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” – que por si só já é fabuloso – em vários momentos são descritas pequenas situações, ou momentos, que deixam personagens felizes ou lhes dá prazer.

Dessa forma, por que não fazer também algo leve, como uma lista de três coisas que nos deixam felizes ou nos dão prazer? E isso pode nos ajudar a lembrar dessas coisas – que muitas vezes esquecemos no meio dessa correria em que vivemos – e assim deixar a vida mais simples e, por que não, até um pouco melhor.

Então, com o objetivo de pensar um pouco em coisas que me fazem bem, vou começar com três dessas coisas:

1- Esquecer do mundo ao meu redor enquanto leio um bom livro: ah, como é bom poder me encostar em algum lugar quieto e desfrutar da companhia de um bom livro. E, nesse processo, esquecer totalmente da vida...

2- Tomar muita água de uma vez: bem, eu sou uma pessoa sedenta. O tempo todo tomo água e sempre tenho ao menos uma garrafinha comigo. Mas pegar uma garrafa e tomar direto dela uma grande quantidade d’água de uma vez, praticamente numa golada, parando depois até meio ofegante é sensacional!

3- Despentear os próprios cabelos: sim, isso mesmo! Deixar que as duas mãos façam a maior bagunça nos cabelos, mas daquelas irremediáveis, impossíveis de se arrumar depois. E vai mão pra lá, vem mão pra cá, torce, gira e está feito. Talvez seja por isso que eu vivo descabelado, mas a sensação é, definitivamente, muito boa.

Pois bem, agora que já puxei a fila, deixo que continuem daqui. Vale escrever na área de comentários (por que não dividir com os outros afinal?) ou até mesmo só pensar sobre isso. Afinal, o que vale é o exercício!

PS.: eu não sou o primeiro a fazer um texto assim, mas é indiscutível que isso é algo legal de se fazer.

domingo, fevereiro 08, 2009

Deixando Pra Trás

O dia estava perfeito, desde o seu início, simplesmente perfeito!

Como era o seu aniversário, todos estavam mais dispostos a agradá-lo. Pessoas o cumprimentavam – com mais ou menos sinceridade, claro – e elogiavam seu trabalho. Até as meninas mais bonitas do escritório o abraçavam efusivamente, seus chefes sorriam a cada minuto e até o almoço tinha sido excelente.

Mas mesmo com tudo isso, um sentimento de que algo estava faltando o incomodava...

E veio a noite que, assim como dia, mostrava-se perfeita... Jantar com aquela menina linda com quem estava conversando há algum tempo, bebidas refrescantes, ambiente acolhedor, sendo paparicado e tudo acontecendo como sempre deveria acontecer, ou seja, tremendamente bem.

Só que aquela sensação incomoda de que faltava algo continuava por ali...

Para a sua surpresa o encontro não ficou só no jantar e eles ainda foram para um motel. Ah, como esse dia podia estar indo tão bem? Acontecimentos excelentes no trabalho, um jantar perfeito com aquela menina linda e, para arrematar, encerrar a noite num motel – afinal, a mera possibilidade de sexo anima qualquer um –, fazendo que queria já há algum tempo... Não faltava nada, tudo era perfeito. Tudo! Tudo... Tudo?

Não, as coisas não estavam perfeitas... Ok, mais uma vez as coisas estavam indo bem e o sexo foi excelente e a menina ressonava a seu lado quando ele percebeu que não conseguiria continuar daquele jeito.

Levantou-se e foi tomar um banho... Pensamentos martelando o tempo todo, tentando descobrir o que o incomodava. Ao terminar, olhou para a menina que dormia com um sorriso nos lábios e então viu as suas roupas.

Começou a se vestir, camiseta, cueca, meias e então entendeu! Terminou vestindo suas meias e tênis e saiu silenciosamente do quarto.

Alguns minutos depois, sentiu que tudo estava perfeito afinal: o vento da madrugada no rosto, a sensação de liberdade ao correr entre os carros, o olhar estupefato das pessoas...

... e a alegria por ter deixado chaves, carteira, documentos, dinheiro e suas preocupações para trás, tudo isso junto de suas calças, que ficaram penduradas em uma cadeira de motel.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

2008: O Ano em que o Muta Quase Parou

Aproveitando a onda de retrospectivas que, certamente, virão, por que também não aproveitar para fazer uma espécie de retrospectiva pessoal também?

Tudo bem que ela não terá uma fração mínima da popularidade das famosas retrospectivas globais e afins, mas, no final das contas, bem... Não tem o menor problema.

Então, sem mais delongas, vamos aos fatos e revelações que marcaram o ano em que o Muta quase parou:

Janeiro: Pessoalmente o ano começava bem, muito bem aliás, mesmo que a festa da virada não tenha sido realizada em nenhum lugar badalado. As pessoas que realmente importavam estavam presentes e tudo foi muito bem, ditando a tônica que se seguiria por mais um tempo. No trabalho a época era de mudança; do rumo da carreira, da cidade em que morava, da dinâmica de viagens e das pessoas ao redor. Na verdade tudo ia aos trancos e barrancos, mas algumas cordas que pareciam firmes o bastante seguravam tudo no seu lugar.

Fevereiro: Mais uma vez as coisas iam de vento em popa em alguns aspectos da vida, planos mirabolantes sendo realizados e, pasmem, até o trabalho parecia entrar nos eixos. Ah sim, até então 2008 prometia, mas eu devia desconfiar de algo errado quando a minha carrorinha morreu, depois de 14 anos com a gente.

Março, Abril e Maio: Até aqui, até o Idéias estava voltando aos eixos, depois de quase 6 meses passando por problemas técnico-administrativos – Poxa, era difícil administrar toda uma vida e, sinceramente o site não era exatamente uma prioridade. Tudo funcionava bem e o trabalho, apesar de consumir muito tempo, estava em ordem. Mas nem tudo são flores e, mesmo achando que as coisas iam bem e/ou que podiam melhorar, eu estava cegamente enganado.

Junho: Definitivamente esse mês prometia! Apesar de ter que passá-lo praticamente todo fora (como pode ser visto aquiaqui, aqui e aqui) – e a saudade de casa pode ser algo brutal – as possibilidades de trabalhar quase um mês inteiro na matriz suíça da empresa era – e foi – realmente empolgante. Só que essa onda boa acabou se espatifando em um acontecimento doloroso e repentino, como se o tsunami de maravilhas se chocasse repentinamente com um quebra-mar gigante de desilusões. C’est la vie mes amis, c’est la vie.

Julho a Outubro: Senhor, onde foram parar esses quatro meses afinal? O trabalho, a solidão em Piracicaba e a distância de minha querida Sampa serviam-me como uma maré serve a um naufrago, empurrando-o para onde ela quisesse, mas, felizmente, sem que o pobre precisasse realmente se esforçar. Ah o bálsamo que a sobrecarga no trabalho que todos vivemos nesses dias loucos pode proporcionar. Oras bolas, nada melhor do que muito trabalho e pouco tempo para pensar, não é mesmo? Mas no meio desse refúgio mental, foi tirado um volume anormalmente baixo de fotos e o Idéias – o pobre site, sempre à mercê das minhas inquietações – era praticamente uma página estática e desatualizada. Se nesse intervalo eu não parei, bem, eu meramente me arrastava e me escondia quase como um eremita que, além de trabalhar, lia - e continua lendo - muito.

Novembro: Ah, mas as coisas mudam, como mudam! Nada como o tempo e decisões firmes para nos ajudar a colocar algumas coisas no lugar... E é claro que uma viagenzinha pelo trabalho para terras estadunidenses também ajudou muito, inclusive, com a aquisição de um novo brinquedinho que promete muitos e muitos cliques. Tudo bem que a terra do consumo exarcebado não é exatamente o meu destino favorito, mas definitivamente é uma experiência e tanto. Mas eu estava mais forte e tive certeza disso quando uma pessoa muito importante e presente durante toda a minha vida pode parar de sofrer o que sofria no final dessa jornada. Outros ciclos também se encerram nesse mês e me refiro ao ilustríssimo Garotas que Dizem Ni! Não é pouco dizer que sem a influência desse site – através das pessoas que o orbitam – o Muta de hoje não seria o mesmo. Aliás, dificilmente o Idéias existiria hoje sem essa influência decisiva.

Dezembro: Então, como não podia deixar de ser em um ano que passou praticamente na velocidade da luz, o último mês do ano chegou! Tudo bem, eu sei que ele não acabou, mas como posso dizer que vou reclamar de algo estando de férias em suas duas últimas semanas? A família vai bem e recuperada, o trabalho continua, bem, dando trabalho, mas parece que tende a melhorar, finalmente consigo enxergar vida e possibilidades por cima do muro e estou bem melhor adaptado à nova cidade. Puxa, apesar dos pesares o ano quase acabou comigo, mas eu acabei com ele antes.

E, a partir de agora, o negócio é continuar olhando pra frente, fazendo de tudo para que o próximo ano – mesmo que mais uma vez voando por nós – seja o melhor até hoje; assim como farei – e espero que todos consigam fazer o mesmo! – no ano depois desse próximo, e no outro, e no outro, e no outro, e no outro...

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Uma mulher

Era uma mulher alta. Eram tão bonitos, os seios dela, apesar de grandes! Não pareciam de atriz pornô, e nem eram de silicone. Os lábios carnudos, os glúteos muito altivos, o nariz empinado, as coxas duras - mas não artificiais como se fossem de academia -, o cabelo lisinho, os pés sem um calo sequer! Até no joelho, ela não tinha defeito.

 

Mas rapaz, como era feia!

sexta-feira, novembro 28, 2008

Na loja de armaduras

Era uma sexta-feira quando um cavaleiro do zodíaco entrou na loja de armaduras. Ele não desconfiou, mas todos tinham os olhos puxados. Inclusive ele. Eu também não acharia estranho, mas reparei no VT. Pensei:
 
- Esses japoneses dominaram mesmo o mundo!
 
Fora isso, nada de mais. Armadura do Seya, armadura do Shiriu. Quando um atendente chegou junto e perguntou:
 
- Como posso ajudá-lo?
 
Não sei se foi em grego ou em japonês. Contratei uma tradutora que sabia as duas línguas, e esqueci em qual que eles estavam falando. Ah, sim. A tradutora também falava português.
 
Ele respondeu:
 
- Estou procurando uma armadura que se adapte ao meu dia a dia. Que quando estiver frio, seja quente; que quando estiver calor, seja fria. Uma armadura que não atrapalhe no banheiro, e que eu possa colocar rapidamente de manhã. Ah! Importantíssimo. Uma que não pegue mancha muito fácil. Olha essa aqui. Estragou depois que eu comi macarrão na casa da minha mãe.
 
O atendente, muito solícito, disse que sabia do que ele estava precisando. Tratava-se da nova armadura dry fit, da Nike.
 
- Não gosto da Nike.
 
- Tem imitação da Adidas, quer dar uma olhadinha?
 
- Sim, sim.
 
Ele se encantou por aquelas armaduras que possuíam três faixas no ombro.
 
- Quero a marrom!

sexta-feira, novembro 14, 2008

Superação

Pois bem, não sei se é conhecimento de todos, mas coisas inusitadas – para dizer o mínimo – tendem a acontecer comigo de forma tão frequente que, muitas vezes, chego a acreditar que vim ao mundo para passar por maus bocados.

Mas se as coisas já são complicadas comigo por natureza, por algum motivo que desconheço – talvez alguma conjuntura cósmica estranha ou um inferno astral antecipado – essa semana tem sido realmente especial.

Vôos cancelados em um pais estrangeiro, fazendo com que o meu retorno atrasasse em mais de 12 horas, a mala chegando quase 24 horas depois da minha chegada, ficar preso dentro de um caixa eletrônico e ter que esperar ajuda externa para abrir a porta, ser acompanhado – não seria errado dizer “cercado” – por dois times diferentes de segunda divisão em vôos de ida e volta com 3 horas de duração cada e, em meio a essas altas temperaturas, ter um problema no ar condicionado do carro já representam uma boa coleção de situações complicadas que, para pessoas comuns, estariam bem melhor divididas ao longo do ano: e não em menos de 7 dias.

Após ver essa “belíssima” lista, muitos, de forma um tanto otimista, diriam que isso é bom, pois não teria com o ficar pior afirmação à qual certamente nosso amigo Murphy iria discordar*, pois as coisas podem sim ficar ainda piores.

Como? Bem, em um momento de superação, consegui esquecer a chave do meu apartamento no meu carro – que, lembrem-se, está com um problema de ar condicionado e o deixei para avaliação na oficina desde quarta passada. Como tive que viajar a trabalho – três horas para ir e outras três para voltar, cercado por times muito barulhentos de segunda divisão – só voltei ontem para casa, bem tarde da noite, e então percebi que não estava com a dita chave.

Numa cidade com carência de vagas de hotel, por volta da meia-noite, não consegui encontrar nenhum quarto disponível e, resignado, dirigi-me – sozinho – para passar a noite um motel.

E que nenhum engraçadinho diga que, ao menos, eu pude ver filmes pornô a noite toda!

*- Já dizia Murphy: "Nada está tão ruim que não possa ficar ficar pior."